Desmaterialização? O que dá e o que não dá…

Por Juliana Silveira*.

Essa semana postamos nos canais digitais da H Mídia uma matéria sobre a desmaterialização. De tecnologias e de itens de consumo do nosso dia a dia. Uma coisa doida, que já é discutida em seminários, e que gera mais perguntas do que respostas. Afinal, já assistimos à desmaterialização de bancos e de cartões de crédito. De filmes, agora disponíveis virtualmente no Netflix, e de conhecimento, que substituiu livros pelo Google…

Mas e de comida? E quanto às relações afetivas com coisas, pessoas e serviços?

Extrapolo aqui trazendo para reflexão o que é sensorial. Que exige degustação, toque. E que assim, sedimenta a confiança, o reconhecimento genuíno. Estabelecendo vínculos e relações de afeto.

Muito pode ser desmaterializado. Aliás, penso que talvez essa seja a saída mais sustentável para o nosso planeta e consequentemente para o futuro dos nossos filhos. Mas não o que vem da sensação. O que gera a satisfação, a felicidade. Não o que os olhos veem e dão segurança.

Sou casada com um santa-mariense e quando nos conhecemos morávamos cada um em uma cidade. Por muito tempo “desmaterializamos” o nosso relacionamento de segunda a sexta-feira. O virtualizamos. E confesso que este é o tipo de coisa que não dá para desmaterializar. Que exige presença. Assim como um bom salmão grelhado, um petit gateau ou uma taça de espumante gelada. Assim como o abraço, o carinho. Assim como a marca. Seu poder, sua presença. Sua materialização na vida das pessoas, no seu dia a dia. Materialização esta, vinculada às suas paixões e a assistência às suas dores. Como faz a Nike patrocinando os uniformes de futebol, assistidos por um público apaixonado em todo o planeta. Como faz o Banco Itaú, quando patrocina as bicicletas da orla do Guaíba, proporcionando interação das pessoas com o meio ambiente urbano, com a cidade onde vivem ou na qual vieram passear. Como faz o Uber, quando conta suas histórias em painéis de mídia out of home (OOH).

Uma pesquisa conduzida pela Rapport, o braço out of home da IPG Mediabrands, traz uma relação direta entre a utilização das mídias OOH e o aumento da relevância da marca nas redes sociais. Porque, para valer mais online, ela precisa estar na vida. Por onde caminhamos, nos ambientes onde interagimos. Onde sentimos. E aí, a presença digital faz mais sentido. Se fortalece. É isso que a pesquisa traz. A verdade quanto ao valor da marca e a necessidade de ser trabalhada no OOH para trazer retorno no digital. E isso me fez pensar…

Está aí um motivo que me faz crer e trabalhar com mídia OOH. E que é o mesmo motivo que me faz adorar caminhar no Central Park em Nova Iorque ou admirar os vinhedos de Bento Gonçalves com um boa taça de vinho. A necessidade de viver as coisas. Estas que marcas assinam na vida da gente, com o propósito de trazer satisfação e confiança. De que existe e de que é bom. E que se está exposto no caminho pelo qual percorremos para ir e voltar do trabalho, na saída do shopping ou na subida da serra, é porque é real. Está ali. Exposta e posicionada. E que assim, se fortalece nas memórias que só a experiência gera, que só a vida nos traz.

*Juliana Silveira é Diretora Executiva da H Mídia e criadora do blog New Families, onde escreve semanalmente com um olhar de sensibilidade única sobre o recomeço da família após o divórcio. É também autora do livro Divórcio: A Construção da Felicidade no Depois.

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