Dia desses saiu na Zero Hora uma matéria sobre propaganda de rua, estabelecendo o que pode e o que não pode ser exposto na cidade de Porto Alegre. Sobre a matéria, no título que determina o assunto abordado, estava a expressão “Poluição Visual”. Isso é bullying corporativo, não te parece? 

Nem todos são poluentes visuais. Assim como nem todos andam na linha do que é estabelecido como “legal” pela prefeitura da cidade, e aqui, falo também de nós cidadãos, não só das empresas.

Tem sim muita coisa na rua. Mas não entendo por que a discussão acaba permeando sobre empresas de propaganda, quando o que está disposto no meio público envolve pequenos empresários, empresas de telecomunicações e energia, e investidas amplas de nós viventes das grandes cidades, sob a demanda de aparecermos nesse contexto todo.

Como colunista e cidadã, me dou a liberdade de iniciar falando que após muitos anos de trabalho nessa área, ainda não aceito essa expressão em referencia à propaganda de rua, mídia exterior ou mídia out of home (OOH), termo popular do meio.

Existe atualmente uma série de regramentos, adendos, complementos e outros dispositivos jurídicos que ministram a legislação deste meio exterior e comum aos cidadãos de Porto Alegre. Que regem a propaganda nas ruas das cidades. Todos legais. Anos de discussões, estabelecimentos e ajustes que empresas sérias do ramo buscam acompanhar e assim adequar-se, ao passo que protegem a viabilidade dos seus negócios. Em parceria com grandes e pequenas agências de publicidade e propaganda, escritórios de design e profissionais da área da criação e planejamento, buscam colorir a cidade, informar, engajar, posicionar marcas e entreter através dos seus pontos de contato com o público. Muitas, com aproveitamento reciclável dos materiais que restam das campanhas, inclusive junto a outras prefeituras do entorno e instituições de amparo sem fins lucrativos.

Então, colocar este trabalho no grande saco da “poluição visual” me parece agressivo e inadequado. Considerando que o que pode ser muito para mim, pode também se aconchegar no seu olhar, podemos dizer que o excesso é realmente relativo. E que o tipo de comunicação que compõe esse excesso também.

Mas vemos sim, como em todo mercado, as operações marginais que desrespeitam as leis estabelecidas para a cidade, agredindo assim também seus cidadãos, gerando esse desconforto sobre o assunto e até a propagação dessa expressão forte que é a “poluição” para um meio legitimado desde que mundo é mundo e vivemos em comunidade.

Enfim, são muitas histórias nessa área de atuação. E para você, que é empresário ou agência, e que deseja usufruir deste canal de mídia tão importante para uma comunicação ampla e que atinja a todos no ambiente prospectado para a sua marca, sugiro trabalhar com quem opera formalmente e em alinhamento com as leis locais. Trabalhar junto a empresas especializadas em mídia exterior garante um vínculo de parceria com quem é legítimo nesse negócio e, consequentemente, viabiliza uma exposição comprometida, legal, ininterrupta e de alta qualidade para a sua campanha.

Fazer do jeito certo sempre é um ato de respeito. Ao meio público e às pessoas. E junto aos órgãos competentes, que trabalham no cuidado ao cumprimento das leis, somos nós, comunidade, todos fiscalizadores. Todos, opinião. Todos, consciência. Todos, empreendedores da vida. E todos, potenciais poluidores. Capazes de, nos nossos ambientes de convívio, garantirmos a nossa parte na preservação do bem estar visual.

Vamos falar mais sobre isso tudo. Pois desses excessos, também de criatividade, saem grandes exemplos, grandes campanhas, grandes ideias. Até a semana que vem! 🙂

Juliana Silveira é co-founder da Dtail Gestão de Conteúdo e criadora do blog New Families, onde escreve semanalmente com um olhar de sensibilidade única sobre o recomeço da família após o divórcio. É também autora do livro Divórcio: A Construção da Felicidade no Depois.

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