A diversidade na propaganda deve espelhar a sociedade na qual vivemos hoje.

É assim que deveria ser para sermos efetivos, pessoas e marcas. O nosso intuito não é se aproximar, se conectar e criar vínculos de confiança através da identificação, empatia e acolhimento? Existe outra forma de estar junto das pessoas?

Pois bem, a propaganda ainda engatinha. Pesquisas afirmam que mais de 60% das pessoas acham que na propaganda de hoje as campanhas publicitárias e estratégias de comunicação não refletem quem somos como sociedade e como indivíduos, e isso é grave. Por isso a crise neste segmento está acontecendo, promovendo o natural questionamento dos seus lideres quanto à ressignificação do trabalho que sobreviveu até então na publicidade mundial, mas principalmente na brasileira.

Na nossa cara

Não podemos mais negar que somos um povo diverso. Estamos a cada dia mais expostos nas redes sociais, nos canais do YouTube, nos programas de televisão e nos artigos publicados em jornais e revistas impressas ou mesmo online, nos colocando e às nossas opiniões. Deixando claro que temos pontos diversos, escolhas peculiares, opiniões e modos de viver a vida e consumir produtos e serviços de forma diferente. 

Está na cara, no nosso perfil do Instagram.

Então dá para continuar segmentando a nossa comunicação levando em consideração meia dúzia de estereótipos? Estamos conseguindo representar no nosso design e estratégia de marketing as pessoas que queremos tocar e engajar?

As pesquisas dizem que não. Não nos sentimos mais representados como indivíduo.

A mulher, por exemplo, segue considerada pela sua capacidade maternal, sempre cuidadora, dona da cozinha ou de muita sensualidade e delicadeza. Frágil para posições de chefia e liderança profissional. Isso pode ser parte da gente, mas não representa mais todas as mulheres nem o seu papel em casa ou no ambiente de trabalho. E é disso que se trata. 

Além dos estereótipos

Pessoas de todas as cores, gêneros e escolhas de vida circulam pelo mundo, potentes, em todas as atividades e cenários, mesmo porque habilidades não são definidas por atributos físicos ou escolhas pessoais. Só que a propaganda, como é feita muitas vezes, além de não representar e até agredir, ela também desencoraja. Faz, no íntimo, nos sentirmos incapazes de nos candidatarmos a posições e desafios além dos esboçados ali: no vídeo que passa na televisão, nos canais digitais, nas fotos das redes sociais e dos impressos, e nas legendas. Estes canais têm essa força e induzem, com seu poder de se espalhar e impactar, a fé das pessoas em um mundo onde há espaço para todos, ou deveria ter.

Eis que, fui assistir na Federasul, em Porto Alegre, entidade liderada por uma mulher, três palestras de mulheres diversas e que foram além do pouco estímulo que receberam do nosso mundo, do nosso país, da sua comunidade. Construíram mudança, voz e patrimônio, como prova do poder que temos quando não acreditamos nos esboços publicados por aí sobre quem somos e até onde podemos chegar.

As três chegaram longe. Fizeram impérios de luz, de fé nas pessoas, de sucesso nos negócios e de eco para um mercado todo de tentantes. De gente que deseja no seu íntimo usar sua força interna para impulsionar trabalho, energia e realização, mas que muitas vezes não acredita ter espaço para isso ou ser possível quando a realidade dos números são ainda tão cruéis. Quando mulheres são tão pequenas ainda nos boards das companhias, quase que como cotistas na liderança, ao mesmo tempo que tão líderes nas suas skills.

Saindo do armário

Fomos ali convidadas a sair do armário. A promover mudança generosa, que é qualidade nossa. Mulheres excepcionais que nos convidaram a nos auto-promovermos e conversarmos com o mercado e outros diversos sobre isso. A nos candidatarmos sem medo como iguais em potência, mesmo que diferentes no gênero, na raça, no jeito ou nas escolhas. A subir no palco. 

E foi lindo. Não porque sou uma mulher aqui escrevendo, mas porque sou uma pessoa. Uma diversa no mundo de tantas diversidades. E ali naquela sala da Federasul, como não me sentia há muito tempo, senti-me representada. Estimulada a me candidatar aos grandes desafios da vida, coisa que já gosto muito, diga-se de passagem. O que vi refletido nos olhos de cada mulher sentada ali e dos homens que acolheram admirados aquelas histórias de valor.

Parabéns à Helen Machado da Carris, Liana Bazanela da ARP, Maria de Lourdes da Anselmi e Simone Leite da Federasul. Vocês nos representam, fortalecem e incentivam com o que são e fazem.

Não tem mais volta. A comunicação que se ajuste nisso.

Juliana Silveira é co-founder da Dtail Gestão de Conteúdo e criadora do blog New Families, onde escreve semanalmente com um olhar de sensibilidade única sobre o recomeço da família após o divórcio. É também autora do livro Divórcio: A Construção da Felicidade no Depois.

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