Amanhã é o feriado internacional que comemora o dia do trabalho, do trabalhador.

A homenagem remete ao dia 1 de maio de 1886, quando uma greve foi iniciada na cidade de Chicago, com o objetivo de conquistar condições melhores de trabalho, principalmente a redução da jornada diária, que chegava a 17 horas, para oito horas por dia. Os trabalhadores de todo o mundo conquistaram uma série de direitos e, em alguns países, tais direitos ganharam códigos de trabalho e também estão sancionados por Constituições. A duração máxima da jornada de trabalho foi fixada em oito horas, na maior parte dos países industrializados.

No tempo, viemos adequando os diferentes trabalhos que foram surgindo, sob estas bases e direitos. Sob o modelo de trabalho que ganhou reconhecimento há um século e meio atrás. Não me surpreende que sejamos agora desafiados a mudar, quando nesse tempo, o mundo, as pessoas e o consumo mudaram tanto.

Mas não se muda de graça. Só que do dia para a noite, para a nossa surpresa, sim.

Vem uma crise de saúde ainda desconhecida pelas nossas gerações ativas, e nos força a mudar na marra. De forma rápida e sem tempo de adaptação. O treinamento é o isolamento, a falta de emprego e de receita.

E este ano a data de 01 de maio terá um significado particular. Nunca este feriado foi tão global. Nunca, tão linear, nunca tão do mundo. E sabe porquê? Porque nunca estivemos tão “no mesmo barco”, nesse mundo, no fundo, de iguais, que se seguem e copiam aqui e ali, fazendo com que andemos devagar.

A crise pela qual passa o trabalho e o trabalhador é, neste momento, mundial. Estamos em casa aqui no Brasil, em New York, na Califórnia, em Barcelona, Londres e Roma, para não citar outros tantos. Estamos muitos, no dia do trabalho, sem trabalhar. Outros, sem trabalho. Ricos e pobres, ou vulneráveis, melhor dizendo. E desta vez, a culpa não é da má gestão pública da politica, da condição econômica do país ou do comportamento das pessoas e da sua formalidade ou não nas atividades que realizam.

Estamos falando do momento em que o mundo parou e a forma de trabalhar também.

A crise no trabalho, esse que exigia reformas, se dá agora, na emergência de ter perdido a cena. E por essa não esperávamos, não é? A ausência do ambiente, assim como do realizar, do produzir, nunca poderia estar previsto, mesmo que a necessidade de mudança estivesse latente. Apareceu agora no querer fazer, e não poder. É o desafio do “continuar”, sem equipe ou com a turma muito reduzida, de portas semiabertas e de ruas vazias pela ausência do consumidor. Pois quem pode, está em casa.

Então, não por falta de trabalhador e boa vontade, comemoraremos o dia do trabalho este ano, em plena transformação. Naquela exigida ao modelo conquistado em 1886, e que urgia mudanças.

Estamos nos reinventando. Refletindo como trabalhar entre os filhos, em casa, remotamente, nas plataformas de reuniões da vida, e no que pode propiciar de forma saudável aos empregados e empregadores, ressignificando, dependendo da sua atividade, a essência do trabalho que conhecemos. Repensando jeitos de fazer acontecer diferente, considerando que aquele outro trabalhador, teu vizinho e consumidor, está passando pelo mesmo processo e agora pode também querer outra coisa. Demandar diferente.

Pois bem, está aí a vida nos exigindo a tal inovação do dia para a noite. Aquela que pede que façamos diferente para atender a um mundo que mudou. E que, por óbvio, modifica agora o trabalho e suas relações.

A mudança será tanta, que talvez mereçamos outro nome. Quem sabe de trabalhadores passemos a inovadores, criadores, realizadores? Gente que transforma, reinventa e cria? Pois o trabalho como conhecíamos, sofre hoje a crise de identidade mais profunda da sua história de conquistas. E se não sair dessa com outro nome, com outra alma, com certeza, sairá.

Aos que perderam seus “trabalhos”, é tempo de repensar e recomeçar diferente, de sonhar com outro mundo. Aos que ainda os possuem, é tempo de transformar, reinventar e reacordar formatos. Pois neste mundo de incertezas e surpresas, e de iguais, de empregados ou empregadores, a criatividade, resiliência e capacidade de mudança são mais do que os nossos braços, pernas e intelecto. São a nossa alma e vida.

Feliz dia dos que realizam, do jeito que for. Até neste histórico 2020. Até em casa 🙂

Juliana Silveira é co-founder da Dtail Gestão de Conteúdo e criadora do blog New Families, onde escreve semanalmente com um olhar de sensibilidade única sobre o recomeço da família após o divórcio.

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