Na segunda data do ano mais importante para o comércio, vivemos uma realidade que desaconselha festas e ajuntamentos, para ser delicada. Vamos lá, mais do que desaconselha. O pedido é dos governantes, das pessoas que se preocupam umas com as outras, e da gente, pois temos afinal a missão de mitigar o aumento dos casos desse vírus maluco que aterrissou nas nossas vidas, transformando a nossa rotina e o nosso Dia das Mães.

Esta data de afeto, carinho, colo e amparo, está muito diferente este ano. Nos convida a trabalhar na gente a distância, a calma, a saudade, a ansiedade de não tocar nos que amamos, principalmente nela, na mãe, ou em quem faz este papel na vida da gente. Não é exatamente uma escolha estar longe, mas uma necessidade, um ato de amor a elas. Cada um na sua casa. É a ordem que recebemos aqui e ali, nos desencorajando a qualquer coisa diferente, por medo de sermos “sorteados” pela mazela. Então, a programação é esta: ficar em casa e longe da mãe.

Sorte dos filhos pequenos que as tem por perto, como aqui em casa…

Os adultos, como nós, terão que se satisfazer com ideias criativas para sentirem-se próximos das suas, mesmo que virtualmente. E ideias não faltam. No auge da saudade, após mais de um mês de distanciamento, não é difícil ser criativo no presente, na solução de entrega e no carinho, como forma de tangibilizar o amor. Encontros na garagem entre mascarados, ou dentro de carros, através de vidros e frestas, compras deixadas “solitárias” em elevadores, encontros digitais em salas de bate-papo, e as velhas conversas pela janela, são algumas. Mas nessa hora, a ajudinha das marcas pode ser vital, ou o grande diferencial na surpresa e no aconchego do coração.

Para atender aos clientes em tempos de Covid-19 e suas transformações, será necessária empatia e voz da marca.

Alguma novidade aqui? O que aparentemente parece obvio e parte da personalidade de um negócio, nem sempre foi assim tão claro e necessário. Eu diria, até ontem, não. Entender como o consumidor se sente a respeito de tudo isso e trazer à marca uma voz que atenda aos anseios desse novo cliente com consistência, afeto, eficiência e propósito, é o novo desafio de quem possui um negócio, e tem tirado as noites dos empreendedores.

Afinal, neste ambiente quieto, silencioso e vazio, as marcas falam para clientes agora atentos.

O repensar passa pela conveniência na compra, confiança na operação, apresentação bacana da mercadoria, entrega do que foi prometido, item surpresa no encantamento do cliente e opções de pagamento que viabilizem o desejo de presentear, sem desconforto. Em um cenário de muitas preocupações, clientes pedem colo, amparo e afeto às marcas. Mães desse “recomeço” que vemos engatinhar, aos poucos.

O mundo precisava dessa mãe há tempos. Andávamos órfãos, todos. E não é por acaso que elas, as mães, andam presas em suas casas, pelo mundo afora. Para mostrarem o quanto fazem falta, o tanto de valor que representam na vida humana e o quanto podem inspirar pessoas e marcas com as suas habilidades em serem generosas, acolhedoras, resilientes e de confiança. E porque não dizer, surpreendentes e encantadoras.

Bingo. Marcas “mães”. Não seria um doce recomeço assim, que impulsiona qualquer um a se reerguer e a voar? É só do que precisamos, acredito eu. E não faltam meios para isso. Estão aí as redes de mídias, físicas, online e sociais, as tele entregas, e as vozes bem intencionadas de quem quer construir um novo normal feliz. Todos à disposição, descobrindo a cada dia, nesse universo “maternal”, uma forma nova de fazer bem e com relevância neste mundo novo que se apresenta. Quem sabe mais humano.

Ora, ora… Receita de mãe:)

E um feliz Dia das Mães! Este, cheio de aprendizados, e que jamais iremos esquecer.

Juliana Silveira é co-founder da Dtail Gestão de Conteúdo e criadora do blog New Families, onde escreve semanalmente com um olhar de sensibilidade única sobre o recomeço da família após o divórcio.

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