Essa semana o canal digital Meio & Mensagem publicou um artigo falando do motivo pelo qual as grandes marcas estão boicotando as redes sociais. O que parecia invencível mostra que tudo na vida tem pontos frágeis, e não é diferente no mundo digital.

Há tempos permeia no mercado a crença de que a vida será e acontecerá nos meios digitais. Confesso que nunca acreditei nisso, talvez por viver a realidade próxima da H Mídia e sua proposta de exibição OOH, talvez porque o toque e a presença sempre foram variáveis importantes para mim. Para a minha tranquilidade, ouvi na NRF de 2015, encontro internacional de varejo em New York, que as coisas se misturariam e muito no decorrer dos anos. Que a presença de uma marca e seu propósito nos meios físico e digital, seria algo vital para a sua existência em um mundo então multicanal.

Assim como forças, todos temos nossas fraquezas, e não é diferente com os meios. Enquanto o meio físico e suas opções trabalham uma comunicação pontual, o digital vem para permitir outros acessos também importantes, a fim de completar o abraço ao cliente, com seus braços e pernas, envolvendo-o em todas as suas partes. Solução completa em comunicação é assim 🙂

Só que como iniciei a crônica de hoje, essa semana o gato subiu no telhado para os mais poderosos dos meios de comunicação digital, expondo sua maior fraqueza. A responsabilidade de regular o que trafega em suas “estradas”.

Empresas como a Coca-Cola, Unilever, Diageo e outros anunciantes globais, decidiram por interromper a publicidade nas plataformas digitais nos EUA, deixando o presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, menos rico. Menos rico e com motivos reais de preocupação, já que estas empresas, que investem pesado na mídia dos canais digitais, optaram por apoiar o movimento #StopHateForProfit (“Pare de Dar Lucro ao Ódio”, na tradução), que tomou grandes proporções após a morte do segurança George Floyd pela polícia do país, recentemente. 

Os anunciantes foram pressionados por entidades ligadas a movimentos civis americanos a retirarem suas verbas publicitárias das plataformas do Facebook, sob a crença de que a companhia não vem atuando de forma eficaz para coibir e diminuir os discursos de ódio publicados nas timelines.

Cada um com a sua carne de pescoço… Se para os meios físicos são necessárias tantas regulações, tratos e cuidados, para se manter a mídia viável, afetiva e operando em cumprimento com os regramentos do local onde está inserida, não haveria de ser diferente nos “ambientes” digitais.

Exibir com responsabilidade, respeitando regras que protegem as pessoas, é compromisso de todos que trabalham com comunicação, independentemente do meio no qual atuam. Estamos falando de vidas. De constrangimentos, de fomento a disseminação de inverdades que diminuem seres humanos, e desrespeitam a igualdade, sem falar do fomento à violência de todo o tipo. E isso é passível de se criar em qualquer meio. Motivo pelo qual exigir gestão por parte dos empresários da área, de forma comprometida com as pessoas e com o meio ambiente, centro de toda a regulação do mundo, se faz necessária, obvia e responsável, quando se tem o “microfone” nas mãos.

Feliz pela voz exigente e comprometida das marcas deste mundo. Das grandes, que tem o poder de movimentar pessoas de suas cadeiras, a pensar com responsabilidade sobre o seu impacto nas comunidades do mundo, compostas de tanta diversidade, mesmo que iguais no direito.

Liberdade de expressão, sim. Permissão à agressividade e ao ódio entre as pessoas, não. Isso não é liberdade de expressão, é falta de respeito e violência, o que não deve ter espaço em nenhum mundo… nem naquele que não podemos tocar.

Juliana Silveira é co-founder da Dtail Gestão de Conteúdo e criadora do blog New Families, onde escreve semanalmente com um olhar de sensibilidade única sobre o recomeço da família após o divórcio.

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