Falar de relacionamentos humanos em época de pandemia propõe uma grande evolução da gente.

Vivemos tempos nos quais precisamos aprender a nos relacionarmos nos comunicando. É tempo de melhorar, de crescer, de nos apropriarmos da linguagem e da afetividade que ela carrega nas relações com as pessoas que amamos, com os nossos clientes, com os nossos vizinhos, com as nossas comunidades, enfim, nos fazendo neste cenário, todos “comunicadores”. E no potencial evolutivo desse processo, comunicar quem somos, o que desejamos, sentimos e temos a compartilhar.

À distância, estabelecer vínculos envolve, além de estratégia, técnica. Pensar que para sermos compreendidos precisamos ser claros em toda a nossa comunicação verbal, corporal e afetiva, exige um olhar novo sobre como exercemos nossa presença no mundo até aqui. Exige a oferta de muita vulnerabilidade, pois nessa hora, a energia da presença não está trabalhando a nosso favor. E esse é um desafio em qualquer mundo. No pessoal, dos afetos, no das marcas, feito por pessoas, no ligo com questões da nossa comunidade, e na compreensão, com generosidade, dos diferentes barcos nos quais navegamos nesta tormenta comum.

Neste ambiente improvável, nos descobrimos comunicadores melhores todos os dias. Nos utilizamos de ferramentas novas, redes sociais, aplicativos, mídias de rua, cartas, bilhetes, comunicação visual, para nos fazermos vivos, vistos e ouvidos nas mais variadas cenas da vida, nas quais, ou estamos isolados em casa, ou mascarados.

Atentos ao outro, a um olhar à distância, a um sinal de fumaça. A um cartaz nos estabelecimentos, comunicando cuidados e boas vindas, e a saudade dos tempos de “bons dias” leves e soltos. Às “LIVE’s”, com pensamentos, olhares, conteúdos e carinho compartilhados. Às vulnerabilidades apresentadas de tantas formas na ausência de alguns meios e na presença de outros. Na mídia externa que nos toca e comunica durante os traslados inevitáveis, em tempos de pandemia, nos lembrando do amparo de tantos produtos e serviços que temos no acolhimento das nossas necessidades.

Há um tanto de tristeza nisso, sim. Mas outro tanto de superação, solidariedade e criatividade, que surpreende todos os dias. O carinho chega pelo correio ou no motoboy da tele entrega de comida. Que traz sabor, dedicação e recados escritos “à mão”, nas suas embalagens. Outro dia, a pizza da minha família chegou cheia de carinho, com desejos escritos à mão, de uma refeição gostosa e compartilhada entre afetos, e por isso, recheada de corações. E assim chegam a nós, na tela de um smartphone, de um frontlight ou de uma embalagem de papel, o tanto que o mundo quer nos dizer e oferecer.

Esta pandemia nos afeta, e às nossas relações, de muitas maneiras. A nossa psique, de pelo menos três. Influência como pensamos, como nos relacionamos com os outros e o que valorizamos. Coisas simples que estão sofrendo no “agora”, transformações traumáticas, que só conheceremos no futuro.  Quando acordarmos, mais inseguros do que nunca, nessa soma de dias, mas tivermos a possibilidade de recomeçar. De efetivamente colocar a “mão na massa”, como se fosse a primeira vez.

Até lá, vamos nos relacionando como dá. Aprendendo novas formas, que espero, em um futuro próximo, serem somadas ao tanto que juntamos em vida, na arte de se relacionar, de comunicar quem somos e a que viemos, nos tornando ainda mais plurais. Cheios de ferramentas novas de acesso ao outro e até bons comunicadores.

Gosto da ideia do bem, afinal. Se não há como evitar o estado de pandemia, e há o desejo latente de se relacionar com o outro, que é tão humano, então, na melhor das hipóteses, nos ampliamos aqui em possibilidades.

O negocio é aproveitar e evoluir no comunicar. É o mais humano e mais viável que temos nas mãos para hoje. Mais do que isso, só Deus sabe 🙂

Juliana Silveira é co-founder da Dtail Gestão de Conteúdo e criadora do blog New Families, onde escreve semanalmente com um olhar de sensibilidade única sobre o recomeço da família após o divórcio.

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