“Não tenho nada contra! Só não venha querer impor que o Thammy é o exemplo de pai! Nem capaz de fazer um filho ela é!”.

“É provocação. É desmerecer os homens?”

“Nunca será pai porque não é homem.”

Enquanto alguns usuários do Twitter reagiam negativamente à participação do ator Thammy Miranda em uma campanha de Dia dos Pais, Erick Cristian Silveira Santos, de 40 anos, beijava a esposa e o filho Miguel, de 4 meses, e seguia para mais um dia de trabalho em sua barbearia. Por sorte, Cristian pode chegar um pouco mais tarde porque seu outro filho, o Renzor, de 20, é quem costuma abrir o estabelecimento.

Enquanto alguns usuários do Twitter reagiam negativamente à participação do ator Thammy Miranda em uma campanha de Dia dos Pais, o contador Daniel Quirino de Souza, 36, tomava um sorvete com a filha — sem esconder o orgulho de ouvir a Camila dizer que “tanto fazia tomar o sorvete no pote rosa ou no azul” e que “um pote é apenas um pote”.

Enquanto alguns usuários do Twitter reagiam negativamente à participação do ator Thammy Miranda em uma campanha de Dia dos Pais, o administrador e cineasta Gael Jardim, de 37 anos, fazia planos para um fim de semana com a filha adolescente, a Liz; o motorista de Samu Pyetro Mateus Mendes de Lima e Souza, de 27, programava fazer um jantar especial com a filha Ana Clara, de 9. E o operador de loja Rodrigo Rodrigues, de 28, chorava ao ouvir do filho sua primeira palavra: “Papai”.

Erick, Daniel, Gael, Pyetro e Rodrigo são pais. E estão felizes e ansiosos pela chegada do dia 9 de agosto. E são Transgêneros.

Esta acima é parte de uma matéria do site UOL sobre a espera do Dia dos Pais de 2020. Copiei, sim. Porque me emocionei, e ao revisar este texto, me emocionei de novo. E é preciso reconhecer e amplificar delicadezas alheias que tocam o nosso coração e que tem o poder de movimentar um pensar, uma sociedade, além de ser um dever de um comunicador, posição na qual eu me incluo.

Vivemos hoje uma pandemia, quem diria? Pessoas morrem aos milhares por dia em todo o planeta, por conta do que não podemos controlar. E não consigo imaginar que não estejamos prontos para assistir alguém que quer ser pai, em qualquer mundo, poder sê-lo. Vê-lo ser “chacotado” e desrespeitado em uma escolha tão importante e tão humana. E pior, ela se ampliar, ao ponto de diminuir a ação de uma marca disruptiva, que reconhece essa escolha.

O mundo está mudando rápido e exigindo da gente um olhar mais aberto às mudanças, como forma de fluirmos, ao invés de sofrermos. Com a alternativa de ressignificarmos, ao invés de enraizarmos. Com a proposta de compreendermos a liberdade de outro e colhermos dessa conduta a criatividade e a diversidade. Que é adjetivo em qualquer mundo aberto à evolução. À busca de outros patamares, de maiores conexões e de compreensão do outro, tão vital para vivermos em sociedade, para nos agruparmos em família, e para atendermos às mais diversas demandas com o que temos a oferecer enquanto marcas.

Pai é afeto. É um adulto de referência. É quem dedica ao filho seu tempo, seu legado, seus sonhos, a outro em “formação”. E que o faz, ininterruptamente, por uma vida, enquanto aqui. O que é bastante responsabilidade.

Então, aos pais que escolheram este caminho, todo o meu respeito de mãe. Às marcas, que nos dão liberdade de escolha, e a elas promovem o respeito, toda a minha admiração. Há tempos que ser pai e mãe não exige selo de origem ou definição de gênero… Não na prática. E quem cria filhos sabe disso. Então, que possamos aplaudir os que abrem caminho para a construção dessa posição tão vital e amorosa na vida de crianças e de pessoas adultas, pela escolha. Nada é mais legitimo do que isso.

Juliana Silveira é co-founder da Dtail Gestão de Conteúdo e criadora do blog New Families, onde escreve semanalmente com um olhar de sensibilidade única sobre o recomeço da família após o divórcio

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