Sim, as pessoas sentem falta do ritual que as envolvem. Somos seres marcados por ritos desde que nascemos, o que a faz parte da nossa natureza, e a jornada de consumo é cheia deles. Por isso trago o assunto da lacuna emocional que o isolamento das marcas trouxe ao consumidor.

Foi realizada uma pesquisa que referenciou restaurantes e o mercado da moda como segmentos que deixaram saudade.

Fiquei pensando sobre o assunto e foi fácil entender a dor dos clientes entrevistados que, em tempos de pandemia, foram isolados do ajuntamento e do sabor dos seus espaços preferidos para comer, e dos ambientes que atendem à construção do seu “eu” e da sua autoestima, tão provocada nos corredores onde a moda acontece e se oferece. Isso sem falar na necessidade de itens vitais para o dia a dia, para a rotina de cada indivíduo.

Dá saudade de caminhar livre por entre as prateleiras de grandes magazines. Dá uma falta danada não poder sentar à mesa daquele restaurante predileto e pedir o prato que nos agrada. Mas a pandemia nos tirou essa experiência e o grande desafio das marcas vem sendo construir “pontes” com os seus clientes para matar essa saudade, mesmo de longe.

Tenho comentado em vários textos aqui, embasada em artigos lidos por toda a parte, sobre a importância de nos mantermos vivos, acesos, enquanto marcas. Marcas não podem se isolar dos seus, lembrando que o amor no mundo do consumo não é incondicional. Depende do investimento, do toque e do encantamento permanente. É importante mantermos esse “toque” e criarmos algum tipo de experiência que permita que os clientes não se sintam abandonados mesmo distantes do consumo, este que é a maior prova de lealdade que ele pode dar às suas marcas e produtos eleitos.

Mais uma vez o reforço quanto à importância do vínculo emocional entre marcas e pessoas. As marcas devem compreender a importância que têm no âmbito emocional, que vai além do consumo propriamente dito. Valorizar isso em sua comunicação é vital e cria laço, caminho. Nesta jornada é importante refletir sobre como é possível criar serviços e experiências que diminuam essa sensação de saudade, gerando um sentimento de reencontro das marcas com seus fãs.

O que não faltam são meios. Estão aí as mídias disponíveis em massa para acessar quem está enclausurado, lembrando que o transito de pessoas já aumentou nas ruas, as quais podem ser uma grande cena para encontros e conexões. Importante é estar vivo, mostrar movimento na direção dos clientes, suas dores e demandas. As tantas que já existiam e as novas que nasceram dos tempos de pandemia. Nunca as pessoas precisaram tanto de atendimento e conexão afetiva.

A janela de oportunidades é imensa. Basta criar a estratégia para belos reencontros que promovam novas experiências e reforço daquela conexão que já existia.

Assim, não se abandona a quem nos é tão caro e que não foi, nem fácil, nem barato de conquistar. De “lambuja” ainda dá para trazer mais simpatizantes com ele. Afinal, pessoas andam quase sempre acompanhadas 🙂

Juliana Silveira é co-founder da Dtail Gestão de Conteúdo e criadora do blog New Families, onde escreve semanalmente com um olhar de sensibilidade única sobre o recomeço da família após o divórcio

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