O “Setembro Amarelo” é uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio, você deve saber… No Brasil, foi criado em 2015 pelo CVV (Centro de Valorização da Vida)CFM (Conselho Federal de Medicina) ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), com a proposta de associar à cor ao mês que marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, tendo o dia 10 de setembro como o escolhido.

São registrados cerca de 12 mil suicídios todos os anos no Brasil e mais de 01 milhão no mundo. Trata-se de uma triste realidade, que registra cada vez mais casos, principalmente entre os jovens, o que causa um certo desespero na gente pela ideia de que possa ser mais difícil perceber neles a necessidade de ajuda do que nos mais maduros. Cerca de 96,8% dos casos de suicídio estavam relacionados a transtornos mentais, como a depressão, em primeiro lugar, seguida do transtorno bipolar e abuso de substâncias.

Este é um tema polêmico e que precisa ser tratado com muito cuidado. Principalmente quando se trata ele durante o “Setembro Amarelo”, onde milhares de marcas e empresas abraçam a causa e, nem sempre, de forma responsável, assumindo uma comunicação muitas vezes superficial e visando apenas a autopromoção. 

Olha que sério isso… O marketing precisa sim estar atento ao calendário de datas que representam o reconhecimento ou mesmo a luta de alguns. Mas não de forma exploratória, ou perde a sua razão de ser na consolidação de uma relação empática, de confiança e humanizada com o seu público alvo, feito de pessoas.

Tenho a sensação de que menos é mais neste caso em específico, falando somente do “Setembro Amarelo”. Ter a cor exposta dentro e fora da empresa sinaliza, a quem está vivendo um problema destes, que a empresa acolhe a causa. Que há espaço para a conversa e para o pedido de ajuda. Me parece que um trabalho consistente e de real amparo é silencioso, respeitoso e observador. Disponibiliza acesso claro às ajudas profissionais sem “propagandear” a coisa toda, já que o problema e seu sujeito, na maioria das vezes, estão escondidos no todo. É mais um momento de educação interna e, com muita delicadeza também externa, através de peças para canais de comunicação, que tenham como único objetivo INFORMAR. Atalhar o caminho, facilitar o acesso a quem mal sabe por onde começar ou nem entende ainda que precisa de ajuda. E não imagino mundo no qual se façam ações de marketing para autopromoção de marca, quando se trata de um assunto tão sério.

Assistir a campanhas que propõem uma conversa sobre o suicídio para alguém que está vivendo uma depressão com efeitos violentos na autoestima e com a sensação de insuficiência ou falta de potência é algo bastante delicado e, por isso, precisa ser trazido com responsabilidade.

É preciso olhar a situação de várias perspectivas. Se atitudes humanizadas e empáticas fazem parte da política da sua empresa, elaborar uma boa ação será menos difícil do que parece, considerando o propósito de amparar, de constituir ponte. Neste caso, antes de tudo, estude e pesquise sobre o assunto. Entenda melhor sobre os grupos de risco, como as mídias podem afetar o estado emocional dos usuários e não descaracterize o discurso de ninguém.  Constitua canal de informação. Lembrando que o foco é sempre orientar a busca por ajuda profissional.

Se este caminho realmente casar com o propósito da sua marca, com a sua forma de lidar com as pessoas que cercam o seu negócio, seja por ele, seja no seu consumo, então estará bem feito e você constituirá apoio no amparo de um problema que está entre nós, e que com responsabilidade, pode ter voz através dos canais do seu negócio. Agora, se esta data apenas apareceu no seu calendário, e com a sua rede e o seu conhecimento você não sabe efetivamente como ajudar, melhor não dizer nada sobre. Apenas ilumine a sua marca em amarelo e mostre que você reconhece o que está acontecendo e, com a sua bandeira amarela, constitui também torcida a quem oferece de fato ajuda.

Essa já será uma bela ação de marketing. Consciente, coerente, responsável, e por isso humana, na medida certa. A autopromoção? Deixa para um outro momento 🙂

Juliana Silveira é co-founder da Dtail Gestão de Conteúdo e criadora do blog New Families, onde escreve semanalmente com um olhar de sensibilidade única sobre o recomeço da família após o divórcio

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