Sabe o que mais me encanta na campanha do Outubro Rosa? É que para chamar a atenção das mulheres para a conscientização, para o autoexame e para a realização dos demais necessários ao acompanhamento da saúde da mama feminina, outras mulheres contam suas histórias abertamente com toda a vulnerabilidade peculiar desse processo de busca pela cura. Falam das suas travessias e dos desafios comuns e particulares na jornada de um câncer de mama. O que imagino ser terapêutico, já que coloca para fora e permite ressignificação e normalização da experiência vivida, além de generoso para com as outras que estão no mesmo barco, pelo conforto de mostrar que nunca se está sozinha.

Ocorre que em meio à pandemia essa luta está sendo ainda mais desafiadora. Pessoas em tratamento contra o câncer fazem parte do grupo de risco frente ao Covid-19, e por esse motivo, o tratamento exigiu ainda mais cuidados e fé. Uma aula sobre superação e resiliência que pode ser contada, compartilhada, agora de forma digital, ao invés dos movimentos urbanos peculiares a este mês e a sua distribuição de amparo, afeto e abraços.

Só que aqui falamos de doentes diagnosticados. Há quem simplesmente desconheça a presença da doença em si.

A pandemia na qual vivemos gera uma sensação de insegurança e muitas mulheres deixaram de ir ao consultório para fazer seus exames de rotina por não se sentirem seguras, pela sensação de risco eminente de infecção pelo desconhecido que nos assombra hoje. Isso é natural, frente ao cenário atual, mas é preciso retomar o rastreamento o quanto antes para evitar casos avançados no futuro.

Hoje a doença leva mais tempo para ser diagnosticada. Enquanto em 2014, uma mulher levava 28 dias, em média, entre a primeira consulta com um especialista no SUS e o diagnóstico, em 2018, o tempo subiu para 45 dias, o que só aumenta a relevância do movimento que coloca luz sobre o câncer de mama e seus modos de prevenção.

Iniciado nos Estados Unidos na década de 1990, o movimento Outubro Rosa promove uma intensa campanha de prevenção contra o câncer de mama. No Brasil, entidades realizam campanhas de conscientização, debates e mutirões ofertando exames gratuitos anualmente em ambulatórios, hospitais, universidades, carretas, estações itinerantes e até estádios de futebol. Isso até agora.

Então veio a pandemia…

A fim de evitar aglomerações neste ano, muitas ações de entidades e empresas devem se concentrar no formato digital. As iniciativas incluem lives, ações para arrecadar fundos e oferta online de produtos como máscaras pink ou personalizadas com a logomarcas de empresas apoiadoras da causa. As mídias de todos os formatos nunca foram tão importantes. Estamos falando aqui dos canais possíveis de chegada às pessoas, das que estão em casa às que estão nas ruas, precisando trabalhar e circular. Nos smartphones, entre redes sociais e sites de conteúdo e comercio digital. Todos meios de comunicação que reforçam a importância de estarmos ligados no autocuidado e na prevenção, mesmo em tempos de Covid-19.

Então, se a sua marca desejar fazer parte desse movimento de reconhecimento e reforço quando a necessidade de se acompanhar a saúde das pessoas e essa doença, muitas vezes silenciosa e devastadora, busque informação especializada, assine a ação de comunicar e busque meios que coloquem esse “impulso” na rua, nas casas, aos olhos das pessoas. Este é um ato generoso e responsável. Empático e amoroso. E dirá com certeza muito sobre quem você e a sua empresa é.

Juliana Silveira

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