“Para encontrá-la e ampliar o volume de negócios em sua plenitude, é preciso entender que isso é uma realidade que não tem mais volta”. Foi o que disse Luiz Fernando Ruocco, sócio diretor de operações da Rocky, para a Meio & Mensagem, trazendo uma realidade valiosa para as marcas que buscam assertividade nas suas ações, que exige a análise profunda de dados que vão além do gênero e da idade, que era como as coisas aconteciam. Levantamentos que permitem definir um grupo de interesse a partir do seu comportamento no meio digital, através das suas pesquisas, intenções de compra e busca por determinados conteúdos de forma repetitiva.

Antes, a persona era um personagem fictício baseado em pesquisas com baixo grau de assertividade simbolizando o perfil do potencial cliente. Aquele que tinha sexo, idade, estado civil, e morava em determinado lugar. Para chegar nesse perfil, eram feitas perguntas, elaboradas pelo time de marketing, que geralmente resultavam em estereótipos…

A “nova persona” não é mais assim: hoje, é possível compreender de fato quem é o consumidor da marca por meio de análises de dados dos clientes. O trabalho exige coleta e profunda análise de comportamentos, originando os “clusters”, ou seja, grupos criados por comportamentos similares como, quais páginas acessam, tempo de permanência nessas páginas, número de vezes que esvazia carrinhos de compra, para citar alguns exemplos.

Usando a ideia trabalhar com a “nova persona”, uma imobiliária não miraria, por exemplo, em um “homem, de 40 anos, casado” para criar sua campanha de divulgação. Ao invés disso, verificaria qual é o grupo que tem maior conversão, que neste caso, seriam pessoas que buscam na internet termos como “decoração”, “jardim vertical”, “móveis modulados”, comprar ou alugar casa, entre outros.

Em um mesmo grupo, podem estar pessoas das mais variadas idades, dos mais variados gêneros e etnias, já que não são características como estas que importam. O importante é saber quem converte mais, como aumentar a quantidade de pessoas com esses interesses chegando até sua marca, e como aumentar a conversão dos que convertem menos na direção da mesma. O fato é que a “nova persona” é baseada em dados reais dos consumidores e potenciais consumidores da marca pelo que elas buscam. Isso por si só já seria um acontecimento, mas as possibilidades são ainda maiores: a “nova persona” não é apenas uma, mas milhares, milhões de personas. É um tiro grande. No entanto, para encontrá-la e ampliar o volume de negócios em sua plenitude, é preciso entender que o marketing digital é uma realidade que não tem mais volta.

É o que vemos por toda a parte. O aproveitamento de dados. Estamos vigiando e sendo vigiados. Nossas plataformas de interação já permitem que identifiquemos quem deseja o que, e com mais afinco, mais acompanhamento, pesquisa e estudos, chegamos a grupos que aparentemente buscam uma determinada solução, que possuem determinados hábitos e gostos, e dos quais todos nós fazemos parte.

Quando Luiz Fernando diz que não tem volta, é porque essa realidade está estabelecida, aí, para quem quiser ver e para quem não quiser também. E para os que sabem do poder dessas “possibilidades” oriundas da informação digital, o marketing jamais será como era antes. Daqui, só para frente, para mais.

Felizes as marcas que surfarem essa onda desde já, não perdendo tempo de acharem suas “novas personas” e, consequentemente, garantirem seu lugar ao sol 🙂

Juliana Silveira é co-founder da Dtail Gestão de Conteúdo e criadora do blog New Families, onde escreve semanalmente com um olhar de sensibilidade única sobre o recomeço da família após o divórcio

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