Com licença, mas segue uma verdade para mim: não há como representar de fato aquele que vive em uma pele que não conhecemos. Principalmente quando se trata de gênero.

Na matéria da Meio & Mensagem o meio contabilizava a presença de mulheres na criação das agências brasileiras: menos de 20%. Se levada em conta a quantidade do sexo feminino em posições de liderança, o índice é pífio, inferior a 6%. Resultado? 65% das mulheres brasileiras não se sentem representadas pela propaganda criada no País, muito embora representem 85% do poder de compra.

Este dado constituir a grande mola impulsionadora para que duas publicitárias criassem a More Grls, plataforma para a divulgação de trabalhos de profissionais atuantes nas áreas de publicidade, conteúdo e design, já que ficou claro que a forma com que as mulheres são retratadas na publicidade irá mudar somente a partir do momento em que elas estejam ativamente envolvidas na elaboração das peças.

Neste caminho envolvem-se marcas, estrategistas e criadores. E como fazer com que o movimento de impulso destinado às mulheres chegue a mais mulheres?

O out of home (OOH) tem um impacto especial, pois ocupa espaço ativo, longe de casa, onde as pessoas ficam mais alertas e receptivas a mensagens não invasivas que complementam o meio ambiente e, portanto, detém a chave de atitudes subconsciente do consumidor.

A título de exemplo, a marca de produtos para perda de peso, Protein World’s, realizou uma campanha chamada “Beach Body Ready”, mostrando uma imagem feminina magra com um biquíni amarelo brilhante. Por causa da sugestão de que as mulheres que são diferentes desse padrão estético não estariam prontas para a praia, o anúncio provocou polêmica no Reino Unido e foi banido. A Protein World’s fez a mesma campanha em Nova York, instalando um cartaz bem alto sobre os pedestres. Enquanto o cartaz desencorajava a confiança de algumas espectadoras do sexo feminino, outras olhavam com mais descontração. Experimentos da publicidade sendo validados ou “invalidados” nas ruas…

 
Apesar do progresso da representação das mulheres na publicidade ser mais pronunciada em alguns mercados do que em outros, parece que chegamos a um momento decisivo: com marcas influentes e autoridades locais trabalhando juntos para agir, há motivos para otimismo. E não há melhor meio para liderar essa mudança – democrática, acessível, incorporada ao ambiente urbano – do que o OOH.

Domingo é Dia das Mães e percebi nas mídias uma mudança delicada na leitura e reconhecimento da função. Mães reais e rotinas exigentes vem sendo divulgadas por marcas de todo o mundo. Me parece que tem mulher metida neste meio, não?

Torço que sim… Como mulher e mãe, venho me sentindo a cada dia vivendo mais no meu mundo, e isso é acolhedor, além de encorajador 🙂

Juliana Silveira é co-founder da Dtail Gestão de Conteúdo e criadora do blog New Families, onde escreve semanalmente com um olhar de sensibilidade única sobre o recomeço da família após o divórcio

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