Mulher, profissional e mãe, e seus pelo menos 3 turnos!

Por Juliana Silveira*.

O tema Gestão do Tempo vem sendo amplamente discutido em ambientes formais de congressos e simpósios de gestão, e nas mesas de debates informais entre amigos e colegas de trabalho. Não é por nada. A sensação geral é a de que falta tempo. Cada um com suas atividades, demandas pessoais e profissionais, todos reclamam da dificuldade de cumprir suas agendas e seus objetivos quando finda o dia. Foi-se o tempo e ficaram as pendências.

Agora preciso trazer à luz deste cenário generalizado, vivido pela nossa sociedade, a condição especifica das mulheres. Das que são mães e que trabalham. E considerando a cultura na qual vivemos. E como indivíduo completamente adequado a este perfil, me sinto plena em falar do assunto, vivido de cadeira.

Sou, como a maioria das mulheres do nosso país, uma profissional ativa no mercado. Cumpro um expediente diário em uma empresa de mídia do sul do país, como Diretora Executiva. Só que também sou casada e tenho dois filhos, o que é uma realidade nas famílias brasileiras. Isso quer dizer que após a minha jornada de trabalho, tenho mais um turno. O de mulher, esposa presente, o de mãe de duas crianças, e o de dona de casa.

Como administrar o tempo e ser produtivo nessas condições de temperatura e pressão?

Não é de hoje que trabalhamos incessantemente, errando e acertando no dia a dia, na busca da adequação dessas tantas vidas em uma só, e ter aí, produtividade. Isso porque todos os nossos papeis a exigem, ou não os exerceríamos na sua plenitude. Ser dirigente de uma área da companhia na qual trabalho exige gestão de pessoas, de recursos e uma presença constante no mercado. Exige domínio das minhas funções. E como hoje tenho estabelecido o meu terceiro turno em casa, cada minuto do meu dia, organizado em uma “to do list”, busca riscar uma a uma, as tarefas da minha lista. Este contexto me exigiu mais foco, da hora que eu inicio o expediente, à hora que ele acaba. Não focar nas minhas atividades e prioridades inviabilizaria minha posição e os meus sonhos profissionais, já que hora extra não conseguiria fazer, ou estaria em falta nos meus outros papeis.

Dessa forma a situação me exigiu menos cafezinho com a turma do trabalho, reuniões mais curtas e objetivas e o estabelecimento de tempo na minha agenda para a realização de cada item da minha lista diária do que fazer.

A casa, as crianças e o meu marido exigem presença e atenção também, e por isso é preciso ter energia e desenvoltura para desenvolver um terceiro turno leve e agradável para o convívio em família, e ao mesmo tempo, resolutivo nas situações domésticas e humanas demandadas pelo ceio familiar. São rotinas e regras estabelecidas em família que fazem com que as três a quatro horas que estamos juntos, por dia, sejam intensas, participativas e de troca de afeto. É o estabelecimento de um horário para cada coisa que permite que tudo aconteça sem que se percam momentos importantes. É aí, quando se deita a cabeça no travesseiro, que a sensação de produtividade e de não estar em falta com o que lhe é mais caro presenteia a alma.

Tudo isso pra dizer que gestão do tempo tem a ver com organização. Com definição de prioridades nos diferentes papeis, e foco. Delimite o que e em quanto tempo você se propõe a realizar cada atividade do teu dia, considerando a quantidade de horas que realmente tens para disponibilizar, em cada um dos seus papéis. Você vai se surpreender com a capacidade de administrar as tantas coisas que a vida lhe apresenta, e ainda querer mais.

Porque tempo se dedica aos melhores. E são eles que devem comandar a nossa agenda.

*Juliana Silveira é Diretora Executiva da H Mídia e criadora do blog New Families, onde escreve semanalmente com um olhar de sensibilidade única sobre o recomeço da família após o divórcio. É também autora do livro Divórcio: A Construção da Felicidade no Depois.

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