Este foi o texto publicado na ZH do final do mês de abril, mais precisamente dia vinte e cinco. Quase vinte dias de lá para cá e me questiono o que mudou no desejo dos gaúchos.

Lá atrás, há quase três semanas, entrevistados deram voz aos nossos desejos tão coletivos neste momento. Difícil não se achar em quase todos eles, declarados por gente como a gente.

“Quando o isolamento acabar, a primeira coisa que vou fazer é andar na rua, livremente”, diz um. “Eu, encontrar os meus familiares”, diz outro. Outro fala em voltar a dar aulas presenciais. Outra, saudosa das maratonas de rua. Outro, dos barzinhos, da cerveja com os amigos. Outra de fazer shows, outro de ver os pais idosos, outra de rolar na grama, outro de ir a um GRENAL.

Enfim, saudades nossas, resumidas no desejo absoluto de todos, pelo abraço à vida de novo. À família, aos amigos, aos pais, filhos, a quem está longe por conta do isolamento social.

Mas tem a saudade dos negócios. Essa, também bate no meu coração. No seu, não?

Saudosa dos afetos? Muito! Mas da vida de produção, realização no trabalho, neste meu, que envolve encontros comerciais e trocas entre gente como a gente, à frente de tantos sonhos distintos, me matam de saudade.

Sinto falta de estar junto das empresas, das marcas, às assistindo construir ampliações, sonhos e mudanças. Sinto falta da fé no outro dia, nas soluções, nas agendas programadas, na sensação de que basta planejar para realizar coisas bacanas, mesmo que imperfeitas. Ok, na vida de uma executiva mãe, pai, existem intempéries e contratempos. Na de qualquer um… Mas se não em um dia, a agenda se viabilizava no outro. E isso dá saudade.

Sinto falta até da estrada que pegava semanalmente.

Das marcas se exibindo por aí, a si, seus designs e ideias, demonstrando seu propósito. E andar junto, ver de perto, sempre me causou uma euforia, um prazer, agora em quarentena. Exigindo alternativas digitais para o insubstituível toque da vivência, da atmosfera dos lugares que possuem alma, missão.

Então, neste momento de calma, introspectivo e de tantas tomadas de consciência e valor humanos, registro que, quando o isolamento acabar, a primeira coisa que quero fazer é sair para a rua e rever o nosso mundo em movimento pleno, de novo. Rever os nossos negócios, os nossos profissionais ligados a objetivos comuns, coletivos. Mesmo em um novo normal. Ver a alegria das pessoas em recomeçar. A presença do sonho, dos planos e dos empreendimentos vivos, por todo o canto.  Desejo portas abertas, calçadas lavadas, indústrias embaladas por seu maquinário, vitrines bordadas de esperança e ideias.

Desejo, de verdade, quando o isolamento acabar, que a vivacidade e as alternativas de novas formas de fazer soterrem a desmotivação, a desesperança, a insegurança e as perdas que estamos vivendo todos. E que se sobressaia a fé no que ainda podemos ser enquanto negócios, empreendimentos e pessoas.  Pois esse seria um abraço gostoso, daqueles que deixam o sentimento de conforto perene, na gente. Que nos acompanha para as batalhas da vida, mesmo quando estamos sozinhos.

Essa é a vida do empreendedor, não é? E quando pudermos voltar a nos tocar, a encantar, a criar, que seja cheios de coragem. Afinal, vivemos uma escola nessa quarentena. E a gestão de crise e a esperança serão as nossas ferramentas mais fortes, e as maiores das nossas habilidades, na busca do recomeçar.

Ansiosa!

Juliana Silveira é co-founder da Dtail Gestão de Conteúdo e criadora do blog New Families, onde escreve semanalmente com um olhar de sensibilidade única sobre o recomeço da família após o divórcio.

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